Hoje é o Dia Mundial do Tradutor. Já tive ocasião de o dizer: o tradutor é cosmopolita, o autor é (e, acho, deve ser) provinciano. É o tradutor que faz o livro viajar e, sendo o mesmo, ser outro. Viajar, pois. E um bom tradutor não traduz apenas, melhora. Há mesmo quem diga que o tradutor é o verdadeiro criador porque, ao contrário dos escritores, o tradutor não se arma em parvo.
segunda-feira, 30 de setembro de 2024
domingo, 29 de setembro de 2024
A História da Arte sem homens
Olá,
Sei que estamos em aula a esta hora (e sei também que estou a puxar a brasa à minha sardinha), mas pode ser do vosso interesse. Partilho convosco a apresentação do livro «A História da Arte sem homens», de Katy Hessel, na terça-feira, às 18 e 30, na Gulbenkian.
Depois da apresentação há uma conversa com a autora.
https://gulbenkian.pt/agenda/apresentacao-do-livro-a-historia-da-arte-sem-homens-de-katy-hessel/
Boa semana! :)
Carolina
sábado, 28 de setembro de 2024
Artistas e burocratas: veja as diferenças
Ambos têm de fingir para serem bem-sucedidos.
O burocrata tem de fingir que trabalha muito.
O artista tem de fingir que não trabalha nada.
(E a edição, área humana por excelência, é técnica ou arte?)
Festival Literário Internacional de Óbidos (FOLIO)
Festival Literário Internacional de Óbidos (FOLIO)
Entre 10 e 20 de outubro de 2024, a vila medieval de Óbidos será palco da 9.ª edição do Festival Literário Internacional de Óbidos (FOLIO), com o tema “Inquietação”. O evento contará com cerca de 600 iniciativas, incluindo conversas, debates, leituras, tertúlias, concertos e exposições, tendo sempre o livro como ponto central.
Este ano, o FOLIO celebra os 50 anos do 25 de Abril e os 500 anos do nascimento de Luís Vaz de Camões, oferecendo uma programação mais vasta do que nunca. Entre os destaques, está o lançamento da obra História Global da Literatura Portuguesa, sob a direção de José Eduardo Franco, Annabela Rita, Miguel Real e Isabel Ponce de Leão, que aborda mais de 800 anos de literatura, desde a Idade Média até aos dias de hoje.
Para além da oferta literária, o festival incluirá também um Eco Mercado, um Planetário, o espaço MyMachine e uma área dedicada à sustentabilidade.
Saibam mais aqui.
- Margarida Silva -
Arriscos de editores
Ao folhear o primeiro livro da série As Crónicas de Gelo e Fogo (A Guerra dos Tronos) de George R. R. Martin encontrei esta nota do editor Luís Corte Real. Em Portugal, os direitos da série foram comprados entre 2005 e 2006 pela editora Saída de Emergência e o primeiro livro foi publicado em 2007, quatro anos antes do lançamento da famosa série Game of Thrones. Ao ler esta nota lembrei-me do que falámos em aula sobre os riscos que os editores tomam (ou não). Neste caso, percebemos que o risco foi tão grande quanto a crença que Luís Corte Real (também ele fundador da editora) depositou nesta série, visto que não se limitaram a comprar unicamente os direitos do primeiro livro.
"Para um editor apaixonado pela literatura fantástica, é um prazer imenso publicar um autor tão talentoso e prestigiado como o George R. R. Martin. Mas mesmo quando os projetos editoriais são alimentados pela paixão, temos de pensar nos riscos e nas dificuldades que se antecipam.
Nas Crónicas de Gelo e Fogo não faltam trunfos, como a energia da escrita, a emoção do enredo, a capacidade do autor em agarrar o leitor, abaná-lo, violentá-lo e deixá-lo desejoso por ler mais. O facto de esta ser a série de fantasia épica que mais vende nos EUA e na Europa, constantemente elogiada pela crítica e pelos leitores (mesmo aqueles que nunca tinham lido nada dentro do género), é outro grande trunfo, mas…
Mas? Onde é que há lugar para um mas, perguntam alguns? A resposta é simples: Portugal é um país pequeno e o mercado da literatura fantástica é marginal. Será possível levar esta série até ao fim? Fará sentido?
Depois de muito equacionar, acreditamos que sim. E a prova é que já comprámos os direitos para toda a série e não apenas para o primeiro volume. Vamos por isso dar o nosso melhor para que as Crónicas de Gelo e Fogo tenham o mesmo sucesso que outros autores do género tiveram no nosso país, como é o caso de Tolkien, Marion Zimmer Bradley ou, mais recentemente, a fantasia juvenil de Harry Potter.
Obrigado por ter lido A Guerra dos Tronos. Fazemos votos para que esteja desejoso/a por ler o segundo volume e que nos ajude a fazer desta série um grande sucesso, convidando familiares, amigos, vizinhos e colegas a lerem-na. Agradecemos toda a publicidade… e os Stark, os Tyrell e os Lannister também!"
- Mariana Bairras
6.4. novas profissões: o editor algoritmo
E censor e editor e manipulador. E instigador.
É um admirável mundo novo. E cheio de Novas Literacias. Já havia a financeira, a digital, a criptomoedal, agora talvez seja a vez da bot-deira.
sexta-feira, 27 de setembro de 2024
10ª edição da Festa da Ilustração em Setúbal
Após a visualização da Ted Talk do designer Chip Kidd relembrei-me de que irá decorrer em Setúbal a 10ª edição da Festa da Ilustração. As imagens são grandes aliadas das histórias e acho que a ilustração é algo que enriquece muito a edição. De capas criativas de romances a livros para crianças, o ser humano é uma criatura visual e um bom desenho atrai sempre a nossa atenção.
Celebrando as temáticas da
liberdade e da resistência, o evento terá foco em José Afonso e Sebastião da
Gama, e contará com a presença de artistas nacionais e internacionais.
Arranca a 5 de outubro e estará a
acontecer em vários locais da cidade. Sei que não é em Lisboa, mas o comboio da Fertagus (Roma-Areeiro - Setúbal) leva-vos diretamente à cidade.
Mais informações: aqui, aqui e
aqui.
- Margarida Ferreira
quinta-feira, 26 de setembro de 2024
6.4. Novas profissões leitores de sensibilidade
Para além de booktokers, gestores, publicistas, scouts e outros agentes, há agora nos EUA os sensitivity readers.
Podem pesquisar sobre o assunto e, em meia hora, ficarem a saber mais do que eu. Jornais portugueses também abordaram o assunto, mas não acedi a textos em canal aberto. Podem começar aqui.
Noite da Literatura Europeia - 12 de outubro (Sábado)
quarta-feira, 25 de setembro de 2024
Eu sou o meu cartão de visita (aula 2)
1. Se «tudo é edição», tudo é leitura.
- O nosso excelente CV pode encontrar o pior dos obstáculos: nós mesmos.
- Construir uma reputação é difícil, destruir é muito fácil, sobretudo nesta era do telemóvel. (Marco Aurélio)
2. «Não julgue um livro pela capa», dizem?
Caramba, se não for pela capa é por onde? A palavra ao senhor Chip Kidd.
3. Exercício 2: faça um verbete da cadeira.
terça-feira, 24 de setembro de 2024
Convites & lançamentos
Esta é a época alta para lançar livros. Muitos coincidem com aulas, outros não. A quinta é um dos dias favoritos. Aqui deixarei os que me ocorrerem. Este vem "enviado pela autora".
Nos anos 70-90, Ana Zanatti era uma estrela do teatro e do cinema português. Muita gente (embora menos jovem) ainda a respeita muito.
domingo, 22 de setembro de 2024
Insta, tik tok, twitter, fb
Como disse na primeira aula, há gente e empresas que vale a pena seguir.
No Instagram, a Marta Ferreira é uma pérola e agora fez uma série de curtos vídeos de autêntico serviço público. Nomeadamente sobre o 2º evento Book 2.0.
No FB, eu gosto dos "livros da T" e do Mendel dos livros, entre muitos outros.
No Twitter do José Afonso Furtado (o Jorge Luís Borges do Twitter, segundo a Time) e da Publishers Weekly, por exemplo.
Lançamento d’A Lenda das Quimeras, de Patrícia Fernandes
Lançamento d’A Lenda das Quimeras, de Patrícia Fernandes
Preconceito,
revolta, impotência e limitação. Estas são as quatro razões que levaram os
autores de literatura fantástica Cristóvão
Correia, Bruno Martins Soares,
Patrícia Sá
e Mário Seabra Coelho a enveredar
pela escrita de ficção em inglês.
No dia 19 de
setembro de 2024, no Fórum Fantástico, na Biblioteca Orlando Ribeiro, em Lisboa,
os quatro autores teceram críticas incisivas ao mercado editorial português no decorrer
do painel “Quando a Ficção Portuguesa escreve Inglês”, descrevendo-o como
limitado a um público exíguo e controlado por editoras que selecionam obras e
autores a dedo. Concordaram unanimemente que a única vantagem real que as
editoras poderiam oferecer seria o marketing, mas lamentaram que este
raramente receba o investimento necessário, sendo relegado aos próprios autores
e aos seus seguidores nas redes sociais. Apesar das desvantagens associadas à
escrita em inglês – como a concorrência mais feroz e as dificuldades
linguísticas – os autores reconheceram que esta língua abre caminho para um
público leitor muito mais vasto e dinâmico.
Durante o
debate, uma intervenção da audiência destacou-se: “Isto é um pouco como as
ciclovias de Lisboa: ninguém as queria, mas, quando as construíram, os
ciclistas surgiram. Se não escrevem em português, como é que poderemos ler em
português?”. O painel respondeu com humor e aprovação, mas Mário Seabra Coelho
não hesitou em afirmar: “Tenho mais interesse em alcançar sucesso do que em
saber se os portugueses leem em português.”
No seguimento deste painel,
ocorreu o lançamento do livro A Lenda das Quimeras, da autora Patrícia Fernandes. Trata-se
de uma das mais recentes apostas da editora Saída de Emergência, que tem
procurado dar voz a novos talentos da ficção fantástica portuguesa.
O livro narra
uma história sombria, passada em 1888, em que Alfreda, uma jovem de 23 anos, se
refugia numa vila remota após terminar de forma abrupta um romance que provocou
escândalo entre os seus familiares. Na vila de Fim da Caixa, Alfreda espera
encontrar paz, mas depara-se com uma atmosfera inquietante e hostil. A
descoberta de um segredo obscuro na vila coloca a sua vida – e talvez a sua
alma – em perigo.
A apresentação
foi breve, com menos de 10 minutos, e a autora, visivelmente nervosa, teve uma
estreia modesta. Como nova autora, poucos conheciam o seu trabalho, e as
questões que surgiram da parte do moderador, Rogério Ribeiro, foram mais
uma extensão das discussões do painel anterior, focado nas dificuldades de se
escrever em português. A sessão de autógrafos que se seguiu decorreu de forma
tranquila, mas o público pequeno e pouco reativo não proporcionou um diálogo
dinâmico com a autora.
Foi o primeiro
lançamento a que assisti, e a simplicidade do evento contrastou com a
profundidade do tema do livro. O moderador foi cuidadoso, tentando fazer a
autora sentir-se confortável e à vontade. Numa próxima vez, espero poder
assistir a um lançamento de um autor cujo trabalho já conheça, para poder
contribuir de forma mais ativa para a troca de ideias.
A escritora fará
mais uma apresentação do livro já no próximo fim de semana, no Festival BANG!, que decorre de 27 a
29 de setembro nas Caves Ramos Pinto, em Vila Nova de Gaia. Será mais uma
oportunidade para o público conhecer a autora e a sua obra, num evento que
promete reunir diversos amantes de ficção fantástica.
sábado, 21 de setembro de 2024
Reconhecer o Padrão
A Reconhecer o Padrão (RoP) é uma revista digital de textos de opinião, e foi criada com o intuito de dar uma oportunidade a pessoas mais jovens e inexperientes de dar entrada no mercado de trabalho das suas respetivas áreas. Grande parte da equipa está ainda a fazer ou o mestrado ou o doutoramento, e juntaram-se para poder ganhar alguma experiência no seu ramo.
Uma das ideias defendidas pela revista é a liberdade de expressão e a neutralidade. Temos, por exemplo, alguns autores que escrevem textos a favor da direita, e outros que escrevem a favor da esquerda. Temos também textos que foram "respondidos" por outros escritores com argumentos opostos aos apresentados originalmente (como por exemplo o "Não pode" e o "Sim, pode pode"). A ideia é aceitar todas as opiniões, desde que estas respeitem a lei (não podemos publicar discursos de ódio, etc.).
A equipa encontra-se em crescimento dado o número de novos projetos em que andam a apostar, então talvez um dia voltem a procurar mais editores. Dito isto, a revista está constantemente a aceitar textos de novos autores, então, caso alguém tenha interesse em publicar algum texto, sintam-se à vontade para entrar em contacto com a revista.
Acrescento ainda que esta revista ainda não tem receita, então todos os seus membros são voluntários, isto é, não são pagos pelo seu trabalho. No entanto, acho que é um bom ponto de partida para quem não se importe tanto com a remuneração.
sexta-feira, 20 de setembro de 2024
Guillermo del Toro e a Inteligência Artificial
Gostaria de partilhar esta intervenção do realizador mexicano Guillermo del Toro sobre a inteligência artificial e o seu papel na criação artística. Penso que se aplica tanto ao cinema como à literatura (e até à edição de texto, com o crescente número de softwares de edição, corretores ortográficos e sugestões de tom IA, o toque humano é cada vez mais importante). Pode ser consultada aqui no canal do British Film Institute do minuto 23:00 ao minuto 28:18.
- Margarida Ferreira
3.2 (e 5.2 e 6.4). Novas técnicas & modos de
Este jovem que já tem consciência do mercado. É um fenómeno novo q.b., embora não seja primeira geração a perceber que, primeiro, tem de tomar o poder na economia cultural (cf. Pierre Bourdieu, se a alguém interessar).
quinta-feira, 19 de setembro de 2024
Uma brincadeira de 2154 páginas? Uma reformulação interpretativa de Proust?
Boa noite,
Foi publicado no Literary Hub - um sítio que recomendo a todos aqueles que estejam interessados em ler sobre o fenómeno literário- um artigo a propósito dum exercício que me pareceu, no mínimo, inusitado.
Segue o artigo: https://lithub.com/7-questions-for-the-writer-who-added-lol-to-the-end-of-every-sentence-of-proust/
E um excerto do exercício (selecionado pelo autor do artigo): "For a long time I used to go to bed early lol. Sometimes, when I had put out my candle, my eyes would close so quickly that I had not even time to say “I’m going to sleep lol.” And half an hour later the thought that it was time to go to sleep would awaken me; I would try to put away the book which, I imagined, was still in my hands, and to blow out the light; I had been thinking all the time, while I was asleep, of what I had just been reading, but my thoughts had run into a channel of their own, until I myself seemed actually to have become the subject of my book: a church, a quartet, the rivalry between Francois I and Charles V lol."
Não me parece tratar-se duma edição. Editar não é subverter. E, ainda para mais sem autorização. Uma reconstituição da obra também não. Inserir a mesma palavra ,repetidamente, ao longo da obra é um exercício demasiado preguiçoso para se considerar tal possibilidade. Mas não é facto que a utilização do acrónimo para pontuar cada final de frase revela potencialidades interpretativas adormecidas na própria substância do texto? De que se trata, afinal? As brincadeiras costumam ter sempre um fundo de seriedade.
Achei só curioso e decidi partilhar. Nunca tive um blog. Talvez seja isso. Eu nem nunca li Proust.
Editar é o quê? (1º exercício)
Amar é
Nos anos 80 não havia papelaria que não tivesse postais com estes bonecos.
E a moral da história era que «amar» era um sem fim de coisas, das mais triviais às mais sublimes. Creio que o mesmo se aplica à edição, e posso prová-lo. Na verdade, se pusermos qualquer coisa à frente de editar damos por nós a ver, com espanto, que quase sempre confere. Editar é... destruir. (Sim, também é destruir.) Editar é... amar. (Sim, também.) Editar é... embrulhar. (Claro, desde logo.) Editar é promover/despromover, dar atenção/roubar atenção, educar/deseducar, quase tudo bate certo.
No finalzinho da primeira aula, que acabou às 20h30 porque eu tinha um jantar, propus este exercício simples e, a provar que já sabem tudo, vocês deram estas 23 belas respostas:
Editar é...
- Estar atento. (Alice)
- Dar uma identidade a um texto. (Ana)
- Dar à luz ao livro. (Laura Vieira)
- Rever um texto com referências culturais específicas a cada editor. (Violeta)
- Trabalhar o potencial dum texto. (Gonçalo)
- Jogar com as formas e os sentidos. (Luísa Gomes)
- Espalhar conhecimento e corrigir o mundo construído pelo autor. (Joana)
- Ajudar os autores a expressarem-se melhor. (Adriana)
- O processo entre o caos e os infinitos universos. (Ana Brissos)
- Necessário para aperfeiçoar um texto. (Mar Ferreira)
- Transformar o outro em algo novo. (Inês Grasina)
- Construir uma parte entre os livros e o mundo. (Débora Singh)
- Moldar o texto (Margarida Ferreira)
- Um passo necessário para dar continuidade à arte da publicação (Mariana Bairras)
- Limar arestas. (Catarina Marques)
- Apoiar o artista. (Alexandre Silva)
- Aquilo que paga a ração à minha gata. (Carolina Cruz)
- Um trabalho coletivo. (Beatriz Batista)
- Transformar aquilo que já foi criado. (Beatriz Nunes)
- Arranjar espaço na estante para menos livros. [Sic] (Inês Ribeiro)
- Tornar um texto minimamente acessível a qualquer pessoa. (Margarida Silva)
- Estar atento e pensar. (Laura Costa)
- Ser um tradutor de línguas que não o são, que uma a fala uma só pessoa e a outra demasiada gente. (Tomás Mendes)
quarta-feira, 18 de setembro de 2024
Animação até dezembro
Só por estes dias há alguns eventos interessantes em Lisboa. Eis três:
- Festival de Poesia de Lisboa. Aqui.
- Forum Fantástico aqui.
- E há a Feira do livro anarquista. Bolas, é muita oferta. Alguma vos interessará, suponho.
- Quinta 26, a II Noite da Literatura Ibero-Americana, em vários locais da cidade.
- E ainda, na Assembleia da República...
E, quase non-stop, até dezembro, muitos lançamentos de livros.
Proposta de TPC: relate um lançamento.
terça-feira, 17 de setembro de 2024
Sumários
Aula 1 (18/9) - Apresentação do programa. Critérios de avaliação.
Aula 2 (25/9) - «Eu sou o meu cartão de visita». Exercício 2: escolha uma entrada do programa. A área cultural é tudo menos objetiva. Uns leitores «gostam» de Saramago e «não gostam» de Lobo Antunes, e vice-versa. Porquê? Cadê a lógica, o rigor, a objetividade? Um júri (que na verdade, na triagem, é uma só pessoa, logo já nem triangulação há) decide como? O que levou André Gide a declinar Marcel Proust, por o Em busca do tempo perdido ser fraquinho? Por que motivo o próprio Carlos da Veiga Ferreira ri de ter recusado o Harry Potter que lhe teria dado milhões? E por que raio Harold Bloom diz que milhões de pessoas podem estar erradas? Chip Kidd e a importância das capas.
Outubro
Aula 3 (2/10) - Leitura de alguns verbetes. TPC 1: passá-los a limpo e publicá-los no blog, além de os enviar para o docente.
2. Palavra mailinda da edição: negociar.
2.1. Convém querer comunicar
2.2. Mas tudo é negociação
3. Trabalhar o livro por dentro ou por fora?
4. Dois vídeos ultra breves
4.1. O contrato do desenhador (Love happens, Billy Mack dando um precioso conselho)
4.2. Lição de Scarface: dinheiro > poder > cultura
5. Se não ler um livro pela capa, leio-o como?!
6. TPC 2: faça uma contracapa
Aula 4 (9/10)
Aula 5 (16/10) -
1. Da tradução
1.1. The old dope peddler
1.1.1. O original
1.1.2. Uma versão in/fiel q.b. em português
1.1.3. Uma versão perfeita, com as vozes inocentes certas para tão falsamente inocente canção
1.2. Como traduzir Pet Shop Boys?
1.2.1. A impossível fidelidade
1.2.2. A impossível (mas necessária) Escolha de Sofia
2. Princípios de revisão
2.1. Sinalética básica. Regra: o importante é que a comunicação seja clara. Cuidado com o «Se obedece pero no se cumple».
2.2. O hábito não faz o monge. Saber a sinalética não faz de nós revisores. Bons leitores, isso sim, faz.
2.3. O revisor tem auxiliares externos (dicionário, livro de estilo, etc.) mas sobretudo auxiliares internos, uma competência prévia feita de leituras, atenção, sensibilidade e (prontos) alguns rudimentos técnicos.
3. Exercício em aula: revisão.
3.1. A solo e com parceiro. É sempre bom ter outro par de olhos, editar é uma arte colaborativa.
3.2. Discussão em aula de algumas frases corrigidas
3.3. Algo vos escapou? É natural, o importante é sabermos que algo nos escapa sempre, mas que temos sempre o taxímetro a contar (mesmo que não sejamos pagos, já que tempo também é dinheiro)
Aula 6 (23/10) - Palavra-chave: pontuação
Aula 7 (30/10) - Palavra-chave: Flexibilidade
Pré-produção, produção, pós-produção - um esquema.
Novembro
Aula 8 (6/11) - Palavras-chave: coerência (interna) e adequação (externa)
Análise de uma nota de imprensa da Quetzal ao novo livro do Cardeal Tolentino Mendonça
Quem tem melhor capa cara de papa?
Tratamento de texto - o mais possível antes de passar à
Produção (cont.)
O sales pitch
A vida de um livro
Aula 9 (13/11)
aula 10 (20/11)
Aula 11 (27/11)
Dezembro
Aula 12 (4/12) - Não há aula por deslocação de serviço
Aula 13 (11/12)
Aula 14 (18/12)
Janeiro
Aula de apoio (se necessário)
Exame (se for caso disso): 20/1
Programa
Docente: Rui Zink
- rz@fcsh.unl.pt
- Atendimento: correio e quartas 17-18h
- Frequência
- Exames de melhoria 20 janeiro - 18h
Critérios de avaliação:
- Participação (aula e trabalhos): 50%
- Trabalho final (aprox. 5-10 pg.): 50%
- Frequência/melhoria 20 janeiro - 18h
0. Questões preliminares
0.1. O que é editar?
0.2. Um mundo em mudança
0.3 Economia ou cultura?
1. Um livro é um livro?
1.1. A perspectiva do autor
1.2. A perspectiva do editor
1.3. Outras: livreiro, distribuidor, Estado, media, leitor
2. A natureza da edição
2.1. Livro, jornal, revista – o que edissão
2.2. Coerência interna – a regra do jogo
2.3. Uma actividade comercial ou cultural?
3. A casa
3.1. Pequeno grande editor
3.2. Marcar a diferença, conhecer o mercado
3.3. Tradutor, revisor, designer, paginador, marqueteiro
3.4 Ciência, arte, lotaria – racionalidade e irracionalidade
4. O jogo dos papéis
4.1. O editing – prós e contras
4.2. A edição crítica
4.3. Do filho de Eça de Queirós a Gordon Lish
5. O Caso da Ameaça Eletrônica
5.1. Do Bubble Gum ao Bubble Blog
5.2. Novos suportes, velhos importes
5.3. Um romance é igual à Enciclopédia Britânica?
5.4. Admirável mundo novo: ibuques, dibuques, amazonas
6. Da edição amadora à edição profissional
6.1. Autor morto, autor posto
6.2. O contrato do desenhador
6.3. Onde pára o livro?
6.4. Os novos marcadores: grandes grupos, escuteiros, marqueteiros
7. Os parceiros do livro
7.1. Livrarias, alfarrabistas, hipermercados
7.2. A feira permanente
7.3. Prémios literários, importações, exportações
7.4. O Estado, programas de apoio
7.5. Os órgãos de comunicação
7.6. A morte do artista
8. Estudos de caso
8.1. Companhia das Letras: sete pecados capitais
8.2. O editor de actas
8.3. [A preencher quando soubermos o quê]
8.4. A Booktailors - Consultores Editoriais
9. O futuro do livro
9.1. Do livro electrónico
9.2. Do livro em papel
9.3. Os papéis do livro
9.4. Nada Tudo está por inventar
10. O que quero ler/editar?
10.1. Artesanato ou indústria?
10.2. Arte ou ciência?
10.3. Sonho lindo ou realidade deprimente?
10.4. Publicando the Great American Novel
10.5. O feiticeiro de Oz
Bibliografia geral
● BACELLAR, Laura, Escreva seu livro – Guia prático de edição e publicação, S. Paulo, Mercuryo, 2001
● BAILEY, Herbert S., The Art & Science of Book Publishing, Athens, Ohio U.P., 1990
● BARZUN, Jacques, On Writing, Editing, and Publishing, Chicago, CUP, 1986
● BLASSELLE, Bruno, Histoire du Livre, Paris, Gallimard, 1998
● CALVINO, Italo, Se numa Noite de Inverno um Viajante, Lisboa, Teorema, 2000
● DUCHESNE, A., LEGUAY, Th., Petite Fabrique de Littérature, Paris, Magnard, 1984
● ECO, Umberto, O Pêndulo de Foucault, Lisboa, Difel, 1998
● EPSTEIN, Jason ((2002), Book Business - Publishing Past, Present and Future, Nova Iorque: Norton
● ESCARPIT, Robert, Sociologie de la Littérature, Paris, P.U.F., 1986 [1958]
● COSTA, Sara Figueiredo, Fernando Guedes - O decano dos Editores Portugueses, Lisboa, Booktailors, 2012
● COSTA, Sara Figueiredo, Carlos da Veiga Ferreira - Os Editores não se abatem, Lisboa, Booktailors, 2013
● FURTADO, José Afonso, Os Livros e as Leituras. Novas Ecologias da Informação, Lisboa, Livros e Leituras, 2000
● FURTADO, José Afonso, A Edição de Livros e a Gestão Estratégica, Lisboa, Booktailors, 2009
● GROSS, Gerald (org.), Editors on Editing – An Inside View of What Editors Really Do, Nova Iorque, Harper & Row, 1985 [1962]
● GUTHRIE, Richard, Publishing - Principles & Practice, Londres, Sage, 2011
● JACKSON, Kevin, Invisible Forms, Nova Iorque, St. Martin’s Press, 2000
● LUCAS, Thierry, Le Guide de l’Auteur et du Petit Editeur, Lyon, AGEC-Juris, 1999
● MORFUACE, Pauline, Les comités de lecture, Ecrire et Éditer 3, Vitry, Publ. Du Calcre, Março 1998
● SAAL, Rollene, (The New York Public Library) Guide to Reading Groups, Nova Iorque, Crown Publ., 1995
●SCHIFFRIN, André, O Negócio dos Livros, Rio de Janeiro, Casa da Palavra, 2006 ● ZAID, Gabriel, Livros de mais - Ler e publicar na era da abundância. Lisboa: Temas e Debates, 2008
● Outras fontes a consultar: APEL, UEP, revistas literárias, blogs sobre edição e livros na Internet Tedi09.blogspot.com, Blogtailors…
NOTAS FINAIS (a lançar sexta-feira 20)
Caros alunas e alunos, junto segue a proposta de nota. Pode haver enganos, pessoas que faltam na lista, pessoas descontentes com a nota. Qu...
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A autora Maria Roque Martins estará presente na biblioteca municipal mais antiga de Lisboa para falar do seu mais recente livro Libertem o...
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No próximo domingo o ateliê do António Jorge Gonçalves estará aberto. Serão lançados dois livros que ele editou.
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