domingo, 29 de dezembro de 2024

Retirar livros do nosso telemóvel é mais fácil que de nossa casa

 Pode alguém retirar-nos um bem material que comprámos? No século XXI pode. Um bocadinho anticapitalista, creio, mas pode

Da mesma forma, num jornal online pedem-nos que não partilhemos PDF, «é pirataria». E é. Mas com jornais e revistas e livros sempre pudemos partilhar. Por vezes quero mostrar a um amigo um livro que li no Kindle e não posso. Um jornal no café ou uma revista passada ao vizinho do lado sempre foram práticas comuns. 

Por outro lado, antigamente quando líamos algo de que tínhamos vergonha fazíamos uma cobertura com uma revista velha ou mesmo um jornal. O telemóvel é mais secreto. 


sábado, 21 de dezembro de 2024

Morreu o presidente da APEL

 Pedro Sobral, 47 anos, do grupo Leya. Atropelado por um acelera enquanto fazia um passeio matinal de bicicleta. Ele estaria a acordar, o outro senhor talvez a adormecer. 

O seu currículo ilustra o lado menos conhecido do mundo editorial. 

Aqui

quinta-feira, 19 de dezembro de 2024

10.3. Sonho lindo ou realidade deprimente

 10.3. Sonho lindo ou realidade deprimente

    A edição é uma área muito complexa, a qual inspira muitos sonhadores a seguir no seu caminho. O problema é que, na realidade, muitos destes sonhadores têm os seus sonhos rapidamente dizimados pela forma que a indústria toma. Trata-se de uma indústria fechada e reservada, que apesar de ser de difícil entrada exige muitas horas e esforço em troca do mínimo que se pode dar. Mas serão esta área e o desejo de ler e editar para a vida sempre destinados a acabar em desgraça com o choque com a deprimente realidade? Talvez não. Mesmo dentro dos sonhadores quebrados, muitos mantém a alma no que fazem. O mundo da edição, ainda que cruel, é o que lhes trás felicidade. Trata-se da razão pela qual acordam de manhã e trabalham até às longas horas da noite.

Por outro lado, esta vida não é para todos, e muitos acabam por desistir, ou sofrer em silêncio. Há também aqueles que nunca conseguem entrar, por mais que se dediquem, e para esses, talvez a deprimente realidade cause mais sofrimento.

De certa forma, a área é ingrata; a recompensa, moral ou psicológica é dada apenas pelo próprio individuo. A edição pode ser um sonho lindo ou uma realidade deprimente. Depende a quem se pergunta, mas para muitos, acaba por ser o segundo.  

Editado por: Mar Ferreira e Margarida Silva

- Inês Grasina


7.2 A feira permanente (Verbete)

 A Feira do Livro de Lisboa era (e é, ainda) um grande evento cultural, não só para a capital como para o país inteiro. Eu cheguei, em 2022, a deslocar-me propositadamente a Lisboa só para ir à Feira. Infelizmente, não pude aproveitar a “hora H”, um dos grandes motivos pelos quais é muito conhecida. A chance de conseguir comprar um livro que há muito se cobiça tira até o mais preguiçoso do sofá quando é aplicado um desconto de 50%. 

 No entanto, a Feira já não é um evento único no que toca aos descontos. Um visitante assíduo dos websites da Bertrand ou da Wook é bombardeado diariamente com descontos consideráveis, havendo assim um sentimento constante de oportunidade imperdível. Os livros selecionados estão em rotação perpétua, os anúncios impulsionam cada vez mais títulos num menor espaço de tempo. A Feira é agora permanente. Um autor, editor, ou livreiro já não pode estar só à espera da Feira do Livro ou até duma grande festividade para um lançamento ou promoção. A competição não dá descanso, os oponentes são ferozes e o mercado está saturado como nunca antes. O objetivo é vender. O mercado da vila já não pode ser só ao domingo depois da missa.

7.1. Livrarias, alfarrabistas, hipermercados

    É possível apontar as livrarias, os alfarrabistas e os hipermercados como os três principais locais de compra de livros. A APEL reporta que no terceiro trimestre de 2024 79,2% dos livros foram vendidos em “Livrarias/Outros” e que 20,8% foram vendidos em “Hipermercados”. Existe, então, uma clara preferência pelas livrarias e alfarrabistas, presumindo que estes estão incluídos em “Outros”.

    Os hipermercados são um local conveniente para a compra de livros, mas as seleções limitadas fazem com que o leitor não recorra muito aos mesmos. 

    As livrarias, em rede ou independentes, são quase sempre a primeira escolha, mas os alfarrabistas oferecem algo que as primeiras não têm - a sua variedade que atravessa géneros e períodos históricos. Vale a pena mencionar, também, que a crescente preocupação com a sustentabilidade dos atos de consumo leva os leitores a procurar cada vez mais pontos de venda em segunda mão.

Editado por: Laura Costa

- Margarida Ferreira


Verbete - 9.2. Do livro em papel

 Os livros físicos, os ditos “livros em papel”, têm sido a base do conhecimento humano há vários séculos e continuam, nos dias da era digital, a ter importância e um grande apelo. Na verdade, este formato continua a ser o mais privilegiado sendo que 97% dos livros comprados em Portugal são físicos, segundo o estudo promovido pela APEL e realizado pela GfK “Hábitos de Compra e Leitura de Livros em Portugal”. A popularidade deste tipo de livros pode ser justificada pelas várias vantagens que estes oferecem em oposição à alternativa digital. Algumas destas são: a durabilidade que os livros bem feitos e bem conservados podem ter; a experiência olfativa de cheirar o livro e a táctil de folhear e senti-lo; a acessibilidade, uma vez que estes nunca precisam de acesso à Internet ou ficam sem bateria. À medida que a tecnologia avança, é evidente que os livros físicos não irão desaparecer e continuarão a ter a sua importância e a ocuparem o seu lugar ao lado do formato digital, sendo que cada um responde às diferentes necessidades e preferências dos leitores.


Mariana Bairras

O Livro Eletrónico - Verbete

     O livro eletrónico consiste essencialmente na versão digital de um livro impresso. É possível obtê-lo em diversos formatos como PDF, EPUB, entre outros, e portá-los em vários dispositivos eletrónicos: do telemóvel ao Kindle. Destaca-se, acima de tudo, por ser prático quer na personalização da leitura, quer na portabilidade dos livros, e até em termos económicos. 

    Com o livro eletrónico torna-se possível trazer, num dispositivo simples e leve, uma biblioteca completa. Passamos a ter a opção de personalizar o formato do livro (o tipo de letra, a luminosidade, a quantidade de texto por "página") e de o comprar por preços muito mais acessíveis, em comparação ao livro impresso. Este é um domínio que se expande e que se centra sobretudo nas gerações mais jovens, com maior facilidade de manuseamento de dispositivos eletrónicos. Poderá ser uma boa estratégia de incentivo à leitura para as gerações da tecnologia. 

- Ana Brissos

quarta-feira, 18 de dezembro de 2024

Calendário avariado

 Já há livros (e de escritores consagrados, como é o caso do António Mota) anunciados para janeiro. E o marketeer é...


7.1. Livrarias, alfarrabistas, hipermercados

7.1. Livrarias, alfarrabistas, hipermercados


Os parceiros do livro são vários, mas os intemporais são estes: as livrarias, os alfarrabistas e os hipermercados.

Cada um destes negócios tem um público alvo diferente e, geralmente, uma escolha de títulos adequada.

Começando pelas livrarias, podemos assumir que o seu foco são os leitores regulares, aqueles que procuram dirigir-se às livrarias diretamente em busca de um livro específico ou de algo que lhes desperte curiosidade. São pessoas com hábitos de leitura, com conhecimento sobre a área, e informadas; estão a par dos novos títulos, das novidades. As livrarias são abrangentes e oferecem um pouco de tudo.

Paralelamente, os alfarrabistas são (ou podem ser) livrarias que se focam na venda e revenda de livros antigos, livros que já não sejam editados e livros em segunda mão, raros, edições especiais e difíceis de encontrar. Quem frequenta as livrarias alfarrabistas é um público muito próprio: geralmente ou são clientes habituais, ou são pessoas à procura de um título específico.

Por último, os hipermercados procuram vender (quase exclusivamente) bestsellers, livros mais conhecidos e escritos por “celebridades”. Muitas vezes são estes os títulos em destaque. Os hipermercados não procuram atrair o leitor regular, mas sim o leitor por conveniência. Procuram cativar aqueles com poucos hábitos de leitura, utilizando os títulos mais berrantes e famosos para os convencer.

Verbete: Tradutor, revisor, designer, paginador, marqueteiro (3.3)

    Um tradutor é alguém que “pega” em textos, vídeos ou imagens que estão numa determinada língua de partida (língua original) e os reescreve numa outra língua (língua de chegada). O tradutor tem de ter sempre em atenção o texto original e deixar a tradução o mais próxima possível do original, sem alterar a sua forma ou conteúdo. Quando se altera o conteúdo ou a forma para tornar o material traduzido mais compreensível pelo público-alvo, a tradução passa a ter o nome de localização e, o profissional, passa a denominar-se de localizador.

    Um revisor deve, tal como o nome indica, rever conteúdo de forma a averiguar que este não contém erros gramaticais, de sintaxe, etc. Atualmente também há revisores que se especializam na revisão de conteúdo sensível (que pode ofender ou constranger os leitores). Também podem ter de fazer fact-checking, ou seja, verificar a veracidade da informação transpassada pelo conteúdo a ser revisto.

    O designer é quem cria o design da capa, lombada e contracapa do livro e, por isso, acaba por ser responsável por causar a primeira impressão que o leitor terá do livro.

    Já o paginador está encarregue de todos os elementos gráficos dispostos em cada página do livro, revista, jornal, etc.

    O “marqueteiro”, por sua vez, tem a função de publicitar conteúdo de forma que este alcance o consumidor.


- Adriana Santos -

Os parceiros do livro: Os órgãos de comunicação

Atualmente, o braço direito dos livros são os órgãos de comunicação. 

Com o crescente uso das redes sociais e meios de comunicação, a venda de livros tornou-se quase que dependente destes meios para o sucesso de vendas. A atual mina de ouro das casas editoriais, para além do Instagram (já um pouco ultrapassado), é o Tiktok. Durante o covid-19, a aplicação de vídeos curtos virou uma febre devido ao isolamento social e, desta forma, o conteúdo relacionado a livros ocupou um lugar nos ecrãs de grande parte do mundo. Agora, passado dois anos do isolamento, apesar de o "booktok" já não ser o que era, é um grande ganha pão não só para as editoras, como para os próprios autores (independentes ou não). 

Os autores, para além de saberem escrever, devem saber também como promover os seus livros nas redes sociais (aka fazerem de vez em quando figuras tristes), virando mestres de marketing.

Acredito que esta pareceria irá durar muito tempo, mas espero que não seja para sempre, pois seria sinal que o mundo não evoluiu. 


- Joana Sabino

4.2. A edição crítica (Verbete)

 Uma edição crítica, para além de ajudar a corrigir erros e incongruências presentes num texto (tal como a edição normal), aborda-o tendo em mente a crítica textual.

Questionar-se acerca do conteúdo do texto, analisá-lo com recurso a técnicas fundamentadas e ver para além da superfície: estas são as etapas necessárias que um editor crítico deve realizar. 

Assim, o resultado de uma edição crítica é um texto aperfeiçoado não só a nível gramatical, mas também racional.


segunda-feira, 16 de dezembro de 2024

Três escritoras refugiadas

A associação Renovar a Mouraria fica mesmo antes de começar a rampa da rua da Madalena. É no Beco do Rosendo 8, e é uma pérola escondida. As autoras deste livro a três mãos são escritoras de pleno direito mas, por percursos de exílio, estão em fragilidade e aqui encontraram refúgio.

O livro é bilingue.

Falo da autora que conheço: 

Margarita tinha uma obra, era uma escritora publicada, quando teve de abandonar o seu país, creio que "por ofensas aos bons costumes". Tenho muita admiração por ela.

A escritora argentina contou que chegando a Portugal teve a sorte de, na mesma semana, Di Maria ter sido notícia pelas ameaças de que a sua família era alvo.

O livro português pode ser comprado na livraria da associação portuguesa 15€, inteiramente para as autoras. 





NOTAS FINAIS (a lançar sexta-feira 20)

 Caros alunas e alunos, junto segue a proposta de nota. Pode haver enganos, pessoas que faltam na lista, pessoas descontentes com a nota. Qu...