Hoje, vivo o último dia de uma formidável aventura profissional de quase 20 anos. De todo o modo, isto não é um balanço, mas um olhar lançado ao futuro. Já perceberão porquê. Como anunciei há dias, terminam amanhã as minhas funções neste grupo, no qual passei quase toda a minha vida adulta e que, como é fácil perceber, me deu muitíssimo. Lembro-me bem do primeiro dia, e do moço que era, mas já nem consigo pôr em perspetiva tudo o que aprendi. Para lá de livros, idealizei ou liderei muitos outros projetos, como um ciclo mensal de conversas com escritores que existe desde 2011 (o Porto de Encontro), um festival literário itinerante que percorreu todo o país (a Viagem Literária), uma agência de oradores (a Dixit) e até a reformulação de um importante galardão (o Prémio Literário José Saramago). Mas o que faz mais sentido, neste momento em que deixo uma equipa que adoro e um conjunto valiosíssimo de autores, é que fale da Contraponto. Como imaginam, não a fiz sozinho. A ideia foi do CEO do Grupo BertrandCírculo, Paulo Oliveira. Já tinha havido uma tentativa anterior, mas foi ele que fez de mim editor. Era nossa intenção praticar este ofício de modo diferente do tradicional e não preciso de dizer o que fizemos ao longo desta década - está, perdoem-me a imodéstia, à vista de todos quantos queiram ver. E o que mais me orgulha é que, tendo entregado resultado ao acionista, conseguimos muitas vezes fazer serviço público, editando livros importantes, e fomos capazes de afirmar projetos de inegável interesse cultural, como o das biografias, que provámos que poderiam interessar a um público vasto e ser lucrativas, se tivessem, entre outros ingredientes, valor literário. Enfim, saio com a sensação de dever cumprido. Contribuí para esta casa e, de algum modo, para o setor. A Contraponto é, quer se queira quer não, uma referência da mais recente década da edição em Portugal. E é-o graças, em primeiro lugar, ao nosso ativo mais valioso: os autores que confiaram em mim e na minha equipa e que tentámos ajudar o melhor que soubemos. Muito obrigado a todos. Em segunda instância, graças às pessoas que trabalham na editora. Só trabalha nos livros quem gosta muito do que faz, porque, num país em que se lê tão pouco, a atividade é pouco lucrativa, o que significa que fazer livros é só para gente apaixonada, romântica e generosa. Fazer livros é para heróis. Muito obrigado ao Ricardo Hipólito, outro pai deste projeto, à Teresa Reis Gomes, ao Rui Rodrigues e à Marta Sofia Teixeira, à Helena Magna Costa, ao Francisco José Viegas, à Gabriela Andrade, à Fátima Brito de Sousa, à Rita Duarte, à Margarida Filipe, à Susana Malagueiro, ao André Gomes, à Soraia Gonçalves e à Inês Ribeiro - todos ajudaram a fazer da Contraponto o que é. Obrigado à Dora Forcas, ao Ludovic Filipe e a todos os elementos da nossa distribuidora, ao Bloco Gráfico, à Gráfica 99, aos paginadores, revisores e demais profissionais que ajudaram a fazer e vender os nossos livros. Obrigado aos livreiros que acreditaram no que fizemos. Ah, e obrigado à Kikas e à Cristina, porque sem alimento não se trabalha. E, por fim, obrigado também aos detratores, pela força que nos deram. E o melhor de tudo é que isto ainda não acabou. Pelo contrário: a Contraponto inicia agora uma nova vida com uma equipa de extraordinárias profissionais que eu me orgulho muito de ter escolhido. O plano deste ano, e boa parte do do próximo ano, ainda é da minha lavra, por isso, se o resultado não for bom, a responsabilidade será minha; se correr bem, como sei que correrá, será graças a quem o vai executar. A Marta Mesquita, uma profissional de mão cheia, passa a dirigir a Contraponto e eu estou muito feliz e orgulhoso por ela. Mereceu! A Cristina Dionísio, lealíssima, cultíssima e experiente, e a Marta Martins Silva, um poço de energia, sensibilidade e talento, serão a muralha de aço. A Inês Conde, que já se fez grande apesar da voz de guloseima, continuará a erguer pontes desta fortaleza para todas as margens. Agradeço-lhes a confiança, a dedicação e a amizade. Desejo-lhes as maiores felicidades. O futuro é delas. E é muito bonito. Até já.
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