sexta-feira, 28 de março de 2025

Quando os livros se devoram, ninguém devora livros

 Publicado, hoje, no Público:

https://www.publico.pt/2025/03/28/culturaipsilon/opiniao/obesidade-editorial-2127203

A leitura integral do texto requer assinatura. Transcrevo a passagem que, com acertada lucidez, esboça o retrato duma indústria canibal, para aqueles que não tenham subscrição: 


"(...) A regra da cronofagia da indústria livreira determina que o tempo de vida de cada livro seja cada vez mais breve. A maior parte sucumbe sem glória, só uma ínfima parte sobrevive e continua a “circular” (a metáfora da corrida e da caminhada é amplamente utilizada no sector).

Utilizando um sóbrio conceito que dá conta das determinações desta orgia (um conceito que descreve muitas outras situações do mundo em que vivemos), podemos dizer que o sector editorial tem um funcionamento hipertélico, isto é, vai para além dos seus fins e anula-se na sua finalidade. Como o trânsito automóvel, que fica tanto mais lento quanto mais oferece os meios para se chegar ao destino rapidamente e em grande velocidade.

É uma entropia que deriva não da segunda lei da termodinâmica, mas do excesso de energia investida. Os livros em excesso têm um efeito de ocultação e produzem a falta. Daí a experiência psicadélica a que somos submetidos quando entramos numa livraria onde abundam as novidades vistosas. Só ao fim de alguns momentos, se conseguirmos superar todo o apelo à excitação a que somos confrontados por tanto ruído, é que nos conseguimos orientar."


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