Exercício 10-
Morte à Nostalgia
Versão Original:
Os dias são cada vez mais longos, quando a casa está longe. As estrelas não fazem uma boa casa confortavél. Na realidade, talvez a casa já nem exista.
Faltava pouco para chegar ao destino daquele dia, onde se deveria encontrar com a Imperadora Korka para discutir um acordo comercial entre as indústrias de armamento dos seus planetas. Mas quando olhou pela janela e viu na distância o seu destino, pensou em tudo menos na sua missão
Todo aquele cenário, que ela havia sonhado como sendo hostil, apresentava-se particularmente familiar. Toda aquela paisagem parecia replicar a casa de férias onde esgotava os últimos dias de Verão. E, lá ao longe, erguia-se uma figura feminina cuja fisionomia, aparentava ser a da sua avó.
Conseguia sentir na sua pela seca dos dias passados na sala de comandos a apanhar com toda a radiação estelar os beijos demasiado molhados da sua avó. A memória feliz, fugaz na escuridão do espaço, de repente deu origem à realidade nojenta, fria, desapontante a que já estava habituada. A casa era agora a peça mais ínfima de um portão do hangar principal da nave, e a figura feminina mais um canhão anti-asteróides.
Talvez tenha sido a memória da avó ou as saudades de casa ou a solidão de se ver sozinha há tanto tempo, mas a vontade súbita de disparar tomou-lhe os pulsos. Fugir ao plano, improvisar, fazer algo de inimaginável – Tudo o que não se devia fazer no espaço – era agora a sua mais impiedosa vontade. Matar a Imperadora Korka tão parecida com a sua querida avó era uma vontade que não podia ser ignorada.
Versão Editada:
Os dias são cada vez mais longos quando a casa está longe. As estrelas não fazem uma casa confortável. Na realidade, talvez essa casa já nem exista.
Faltava pouco para chegar ao destino daquele dia, onde se deveria encontrar com a Imperatriz Korka para discutir um acordo comercial entre as indústrias de armamento dos seus planetas. Mas quando olhou pela janela e viu na distância o seu destino, pensou em tudo menos na sua missão.
Todo aquele cenário, que ela havia sonhado como sendo hostil, apresentava-se particularmente familiar. Toda aquela paisagem parecia replicar a casa de férias onde esgotava os últimos dias de Verão. E, lá ao longe, erguia-se uma figura feminina cuja fisionomia, aparentava ser a da sua avó.
Conseguia sentir na sua pela seca dos dias passados na sala de comandos a apanhar com toda a radiação estelar, os beijos demasiado molhados da sua avó. A memória feliz, fugaz na escuridão do espaço, de repente deu origem à realidade nojenta, fria, desapontante a que já estava habituada. A casa era agora a peça mais ínfima de um portão do hangar principal da nave, e a figura feminina mais um canhão anti-asteróides.
Talvez tenha sido a memória da avó ou as saudades de casa ou a solidão de se ver sozinha há tanto tempo, mas a vontade súbita de disparar tomou-lhe os pulsos. Fugir ao plano, improvisar, fazer algo de inimaginável – tudo o que não se devia fazer no espaço – era agora a sua mais impiedosa vontade. Matar a Imperatriz Korka, tão parecida com a sua querida avó, era uma vontade que não podia ser ignorada.
Inês Grasina
Alice Neves
Gonçalo Pinto
Tomás Mendes
Rita Negrão
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