O bom marketing diz que a explosão deve ser logo no início, contrariando a tradição estética de deixar o melhor para o fim. Nos romances policiais de hoje encontrou-se uma solução de compromisso: o livro pode ser chato no início (ainda não aconteceu o crime!) mas convém ter uma analepse a abrir, para sabermos que lá para a página 100 vai haver SS (Sexo & Sangue). Depois desse par de páginas terríveis - «Quando a polícia chegou, deparou com corpos esquartejados e nus» - vem o verdadeiro início: «Quatro meses/duas semanas/três horas antes».
Esta semana a Leya atirou os foguetes, apanhou as canas e talvez tenha perdido um autor que, mesmo não vendendo muito, é recipiente da maior honraria nesta nossa língua.
O estranho caso do escritor que ficou ofendido (e ameaçou pôr um processo) ao novo romance de Germano Almeida, uma comédia sorridente passada no festival Correntes d'Escritas.
Entrementes, a novela Germano Almeida/Leya/Correntes d'Escritas não acabou, ou acabou hoje com um novo volte-face: editora e autor fizeram as pazes e o livro sairá já em breve, a aproveitar a magnífica publicidade.
Alguém muito espirituoso disse: «O importante é que falem de nós, nem que seja parta dizer mal.» Há uma versão ainda melhor atribuída a Salvador Dali: «O importante é que falem de nós nem que seja para dizer bem.»



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