domingo, 16 de março de 2025

Ainda o Hermano Almeida

A jornalista Inês Forjaz escreveu isto na sua página FB [nota: não corrigi gralhas, nem a do título desta entrada, os anexos também são dela]:

A internet decidiu que o caso Germano Almeida - Leya foi um gople de Marketing, está decidido.

Os burrocratas da Leya agradecem, porque não só escapam entre os pingos da chuva, como ainda passam por génios da publicidade.

Sucede que isto deu-me que pensar e, para não variar, em sentido contrário.

Para lá do ofendidismo de quem está habituado ao pedestal incontestado e lambe-botismo nacionais, este caso revela um cancro que se espalhou por tudo o que é empresa. A verdade é que o poder decisório passou das mãos de quem está directamente ligado às profissões, ou seja, de quem sabe o que anda a fazer, para CEOs, serviços jurídcos, administrativos, you name it, cujos objectivos são radicalmente diferentes do negócio em si. 

Temos então situações como esta, em que uns advogados e uma CEO qualquer mandam mais do que o editor Zeferino Coelho, da Caminho.  

Quem toma agora decisões editoriais são os CEO, administradores, e outros que tais. Não raras vezes, há mais gente a trabalhar na burrocracia do que na actividade principal. E os CEO (chique a valer) passam de empresa em empresa, ora decidindo sobre livros sem glúten, ora sobre cervejas sem álcool.

É isto que acontece também no jornalismo, com administrações e sub-direcções várias a tomar decisões de gabinete que afectam questões editoriais, contratando cada vez mais gente para a papelada enquanto esvaziam redacções. Acontece também nas escolas, hospitais, museus, enfim, por todo o lado, restando aos que têm as mãos na massa muito pouca margem manobra. Trabalha-se dentro de espartilhos impostos por gente que nada sabe, nem quer saber, sobre as profissões que anda a gerir.

Isto é um absurdo. Não há nenhuma golpada de marketing genial aqui. Só burrocracia, amiguismos e pequenos grandes poderes. 

Genial era o Eça e, na novela Ofendido-Leya-Germano, de que nem o escritor sai de pé, tinha de haver mais um ridículo supremo. Segundo o Expresso, "a Leya aceita agora publicar o livro sem quaisquer modificações, a não ser clarificar que Eça de Queirós foi trasladado para o Panteão Nacional". A sério? 

De certeza que Eça sacaria daqui umas belas personagens. À falta dele, proponho o Zink, que conseguiu encontrar a piada certa no meio desta parvoíce, acusando-se como tendo sido O Ofendido e autor da queixinha que ficou anónima. O Ofendido - fica já como título do livro para quem tenha paciência para escrevê-lo. Até dá para fazer uma série: O Ofendido Anónimo, O Ofendido Coxinho, O Ofendido e o CEO, etc. Pode ser que a Leya se interesse.









Sem comentários:

Enviar um comentário

NOTAS FINAIS (a lançar sexta-feira 20)

 Caros alunas e alunos, junto segue a proposta de nota. Pode haver enganos, pessoas que faltam na lista, pessoas descontentes com a nota. Qu...