9.2. Do livro em papel
Um dos maiores prazeres da vida, pelo menos para aqueles que gostam de ler e mexer em livros, é o de abrir um livro impresso em papel. O livro em papel, além de existir materialmente nas nossas mãos, é muito mais que um bloco de folhas ou uma sopa de letras. É uma experiência - uma experiência sensorial.
Como aqueles que gostam de ler sabem (não concisamente mencionado, mas refiro-me àqueles que preferem ler em papel), o melhor cheiro que alguma vez possamos inalar é o de um livro (preferencialmente novo, mas um antigo também tem a sua personalidade); o melhor sentimento é aquele de folhear as páginas e perceber que o livro está ali, nas nossas mãos, e existe; e, logicamente, a melhor visão é todo o conjunto de palavras e pensamentos que alguém escreveu.
Portanto, do livro em papel pode-se dizer muita coisa má: que podemos perdê-lo; que um amigo levou-o emprestado e nunca o devolveu; ou que, bolas! Já se estragaram os cantos da capa. Mas, na realidade, o livro em papel tem vida e história e, se calhar, a ponta direita amachucada não é assim tão trágica porque foi assim que percebi que o livro existia.
Beatriz Nunes
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