Na minha perspetiva, a contracapa tem de ter algo que, como na capa, me capte a atenção, ainda que de formas diferentes. Pego no livro pela estética da capa, mas é na contracapa que tenho um cheirinho daquilo que é mais importante nele: o seu interior. Assim sendo, contracapas com muito pouca informação tornam difícil o captar da atenção do leitor. Atentamos, por exemplo, à contracapa do livro O Velho que Lia Romances de Amor de Luís Sepúlveda:
O facto de não existir qualquer tipo de informação na contracapa dificulta o suscitar de curiosidade, dificulta o cheirinho daquilo que estará por vir. Não duvido da qualidade da obra, mas uma contracapa vazia foi uma escolha arrojada. Quem não conhece o autor, das duas uma: ou se rende pelo título e entra pelo livro adentro na esperança de encontrar algo sublime; ou simplesmente não o lê. Portanto, livros que correspondem a este exemplo são para os fiéis leitores de determinado autor e para os que se rendem ao título ou à estética da capa.
Atentamos, agora, à contracapa da obra Uma Aprendizagem ou O livro dos Prazeres de Clarice Lispector:
Apesar de não haver muita informação, há o essencial para que este seja um excelente exemplo daquilo que é uma boa contracapa. Aliás, talvez o excesso de informação seja também um obstáculo à atenção e curiosidade do leitor. Assim, apenas com uma citação ou sinopse, o leitor tem à vista aquilo que o espera, e é capaz de decidir segundo ela. A contracapa deve ser concisa e de fácil leitura, o que tanto vale para a quantidade de texto, como para o tamanho ou fonte da letra. Deve, assim como a capa, ser o espelho da obra, e não um obstáculo à sua leitura.
Ana Brissos
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