Para mim, uma contracapa tem de ser simples e objetiva, sem desvendar demasiado sobre a narrativa, mas de modo a suscitar curiosidade.
Um tipo de contracapa que, pessoalmente, considero cativante, é o exemplo abaixo, do livro Klara and The Sun de Kazuo Ishiguro. Apresenta-nos uma frase que nos dá, à partida, a entender se teremos interesse ou não no tipo de escrita e conteúdo (nota: por vezes este segundo elemento pode ser difícil de descodificar a partir destes pequenos excertos).
Claro que é pouco informativa e podemos ver nisso uma desvantagem e um ponto fraco. Há efetivamente vários elementos em falta, como uma sinopse ou até mesmo uma pequena biografia do autor. Contudo, para mim, menos é mais. Evidentemente, gosto e valorizo sempre uma boa sinopse, cativante e sumarenta, mas que não conte demasiado (apenas o suficiente). Este é o "estilo" que mais me cativa.
Outro bom exemplo são as contracapas de livros de poesia. Geralmente apresentam uns versos ou uma frase / parágrafo memorável, e é suficiente para perceber se aquele livro será ou não do meu agrado (ou, pelo menos, ajuda-me a decidir se o compro ou não).
Contrariamente, um exemplo que não me suscita grande interesse é o d’O Monte dos Vendavais, de Emily Bronté (edição da editora Relógio D’Água). Por ser um clássico conhecido por todos, talvez não haja a necessidade de sinopses, ou até de informação sobre a autora mas, para mim, uma contracapa que se apoie somente em críticas não me diz nada.
Mais exemplos que considero menos bons:
Têm todos duas coisas em comum: críticas que ocupam demasiado espaço e muitas palavras.
Para ilustrar, podemos comparar duas edições distintas do livro Cem Anos de Solidão, de Gabriel García Márquez:
Exemplo 1
Exemplo 2
Na primeira imagem temos uma contracapa chamativa, não só pelas cores vivas e pelos desenhos, mas pela forma sucinta, com poucas palavras, com que apresenta o livro. No exemplo número 2, de forma oposta, temos uma contracapa mais sóbria, mas com mais palavras e informação.
Apesar de não haver certos ou errados, a minha escolha seria sempre a primeira. Simples e cativante.
Por outro lado, sou influenciável e permito-me olhar de vez em quando para as palavras a negrito que, muitas vezes, aparecem nas contracapas de modo a despertar a curiosidade no leitor. Em The Goldfinch, de Donna Tartt que, com uma breve sinopse e algumas palavras que o caracterizam, nos desperta o maior dos interesses, temos um ótimo exemplo.
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