Muitos já devem ter visto este livro nas livrarias que frequentam. Como amante do macabro e da literatura gótica, a capa chamou-me à atenção e estupidamente peguei nele e pus-me a ler a capa e a sinopse. Rapidamente me apercebi dos elementos que tanto repudio nos romances contemporâneos promovidos nas redes sociais: a componente Dark Romance.
Sem qualquer lista de trigger warnings ou avisos de que o seu conteúdo presente se destina somente a adultos, «A Sombra de Adeline» dá palco a um romance entre uma jovem indefesa e o seu stalker. Aparentemente, o adjetivo «sombrio» serve para descrever relações sexuais de consentimento dúbio, degradação da personagem feminina, atividades sexuais perigosas e comportamentos violentos por parte da personagem masculina principal.
Aqui, a personagem feminina morre de amores por saber que um homem desconhecido lhe entra pela casa a dentro sem ela se aperceber. Adora que um estranho mate os seus outros pretendentes enquanto proclama: «És minha.» O leitor é levado a simpatizar com este agressor apenas porque ele leva a vida a matar criminosos de crimes sexuais. Ele é pelo bem, mas a personagem feminina apenas o deixa louco. Como pode ele controlar os seus instintos perante tanta beleza?
Tento não ser muito exigente com as recomendações do chamado booktok e, por consequência, com as obras que se tornam populares entre a geração Z. Mas é este o tipo de leitura que queremos promover? Queremos que raparigas adolescentes e até mais novas vejam um tiktok e peçam aos pais para comprar a obra de que todos falam no momento?
Nas visitas seguintes que fiz às livrarias que frequento, vi uma rapariga (devia ter uns 12 anos) a revistar tanto esta obra como outras igualmente picantes e problemáticas.
Não peço que estes livros sejam banidos, longe disso. Porém, penso que as editoras deviam ser responsabilizadas por promoverem este tipo de livros a um público jovem sem tornarem bem explícito na capa que o livro não se destina a este. Deviam tornar os pais conscientes de que as suas filhas planeiam ler ficção praticamente pornográfica. Façam estas raparigas entender que não deviam ver atitudes violentas e forçadas como algo atraente. Não tragam o BDSM para o mainstream desta forma.
Mar Ferreira
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