3.2. Marcar a diferença. Conhecer o Mercado
O livro é um produto de escolhas e vontades que se constitui como vínculo de significados, através dos quais, os agentes responsáveis pela sua elaboração procuram conquistar o leitor. Como em qualquer outra área de negócio, esta manobra de charme tem por finalidade última vender o objeto de encanto. Compreender o livro na sua dimensão comercial é, sobretudo, um ato de honestidade para com o leitor e uma estratégia avisada para quem não quer perder dinheiro a desperdiçar papel.
Como tal, convém desde logo identificar o sujeito a quem nos dirigimos. Por razões de cortesia; claro está; mas também porque desejamos ser ouvidos. Reconhecer o interlocutor no seio do seu preconceito, possibilitando a criação duma linha de diálogo que faça convergir as pretensões do produtor e do consumidor. De certa forma, a tarefa do editor assemelha-se àquela dum sociólogo. Se exceptuarmos a chatice dos gráficos, das amostras e de todos esses instrumentos de análise de cariz científico; exige-se que esteja atento à ordem social em que se insere, por forma a intuir as tendencias comportamentais que a caracterizam. Ciente destas dinâmicas ser-lhe-á mais fácil elaborar um produto que lhes responda.
Conhecer o mercado é importante mas não constitui um fim em si mesmo. O papel do editor não se esgota nesse trabalho analítico. Compete-lhe adivinhar novos espaços e estratégias de exploração de tendências. A arte, não raras vezes fortuita, do editor está em decifrar impulsos de consumo que alargam as fronteiras desse mercado. Procurar marcar a diferença agindo sobre um ecossistema, aparentemente, determinado. Por vezes corre mal. A maior parte das vezes, aliás. Os livros que passam despercebidos ultrapassam em larga escala aqueles que são notados. São as idiossincrasias da profissão.
Gonçalo Duarte Pinto
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