Há uma pergunta perversa que gosto de fazer aos outros quando o momento é oportuno: "qual é o teu maior sonho?" para a pessoa me dizer que é "ser feliz" e eu responder "ah ah, os sonhos não se realizam e, por isso, todos podemos sonhar sem medida. Eu sonho com o mundo pseudo-romântico em que o trabalho do escritor é descoberto, idealmente no momento à beira da desistência, por alguém com poder suficiente para o dar a conhecer e o sucesso se fazer à conta do talento. Mas os sonhos não se realizam e para sobreviver da arte às vezes não basta ter talento.
No mundo real a probabilidade de um anônimo escrever um livro muito bom e de ele vender é capaz de ser semelhante à de acertar no ponto de cozedura do arroz na primeira vez que se prepara. É baixa. E se o o anónnimo se tornar influente e relevante antes de publicar um livro? É mais provável que a história venda.
No sonho a arte fala por si e serve só o propósito do espírito desassossegado, mas no mundo real a arte tem de pagar contas e o espírito desassossegado também precisa de se vender.
A cultura também serve propósitos comerciais. É triste?
Laura Costa
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